2° DIA DE GOIÂNIA E DE VACA...
No segundo dia de festival Vaca Amarela o Felipe chegou e nós tivemos que trocar de quarto para um maior no 3° andar. Foi legal ter a banda toda reunida, e só a banda reunida. Não que não sentimos falta de amigos por perto pra viajar e festejar junto, mas é bom só nós quatro pra conversar sobre musica e coisas que interessam apenas a banda. Provavelmente isso nunca aconteceu antes numa viagem.
.jpg)
Fiorelo, Neila e Felipe (após o almoço de sábado)
Todos passaram o sábado dormindo, eu fui andar e quase fui na festa do tal Lucas. Nos arrumamos e fomos pegar a van que ia levar agente pro evento. No elevador sempre encontramos pessoas interessantes nesse dia encontramos os caras de uma banda Argentina que tocaria no dia também (e pegaria à mesma van). Tentamos conversar no elevador todo apertado de gente e instrumentos, mas não rolou. Muito difícil, língua enrolada do caralho, todos concordamos que não íamos conseguir conversar daí demos algumas risadas e seguimos calados no elevador. Também encontrei o Lanny Gordin sendo assediado por uma banda no elevador, ele pouco ou nada dava de atenção aos caras. Achei engraçado, não achei arrogante. Os caras estavam enchendo o saco do guitarrista herói. Enfim, na van que nos levaria até o festival, encontramos os caras da banda Argentina e umas meninas da imprensa de algum lugar, de novo tentamos conversar com os argentinos mais a única coisa que entrou em consenso nessa conversa difícil foi: “cigarro e pilhas”. Que nós e eles estávamos precisando e o pessoal super gentil da organização conseguiu pra gente em cima da hora.
Já no Martin Cererê fomos quase que direto para o palco. Só deu tempo de ver uma banda ruim pra cacete a tal de “descuido zero” tocando cover de Legião Urbana, Raimundos e por ai vai (ficando cada vez pior, acredite...) um grande lixo o show dos caras, nem tocaram bem nem tocaram repertório próprio, o fundo do poço não era suficiente pra eles. Subimos no mesmo palco dessa banda pra passar o som e logo percebemos que íamos tocar para pouca gente. Não importava mais, as horas de sofrimento no ônibus tinham que ser justificadas de alguma forma. Pelo menos ganhamos fichas de cerveja pra beber durante o show. O som estava muito bom, perfeito! Arrisco dizer que foi o melhor som que já toquei. Começamos a tocar “Nem tudo que vem de você é barulho” mesmo não tendo ninguém, tocamos essa música só pra gente mesmo, daí foram chegando algumas pessoas e daí até o final do show já se podia perder as contas de quantas pessoas estavam nós assistindo e de algumas palmas entusiasmadas (estava escuro).
Percebi uma confiança nova na banda durante o show. Acho que essas poucas apresentações que estamos fazendo fora de casa nos deram uma maturidade que seria impossível conquistar tocando apenas em Porto Velho, no final da apresentação eu senti uma sensação de dever mais que comprido comigo com Neila, Gabriel e Felipe. Foi o melhor show que fizemos até hoje na minha opinião. Apesar de pouca gente ter presenciado esse grande feito, as quatro únicas e mais importantes pessoas que tínhamos que convencer do que somos capazes de fazer e superar estavam lá. Bom, no final quando eu toco as musicas no baixo distorcido recebi um super elogio do guitarrista da Goldfish: “Esse baixo tem um som do capeta!!” . Afagos no ego à parte, a noite de sábado começou super bem com agente “ganhando” agora era só aproveitar o resto até a ultima ponta (de cone pizza)!
Depois de tocar me deu fome pela primeira vez em toda a viagem. Eu Neila e Felipe fomos comer o glorioso cone pizza, mas na hora preferi o yakisoba que estava baratinho e parecia estar mais gostoso. (não sei onde o Gabriel estava essa hora). Enquanto devorávamos depressa a janta discutimos os rumos da banda, o show que acabamos de fazer e coisas que queremos acrescentar ou não na banda. Ou seja, estávamos dando uma respirada para depois como diz aquela música do Cérebro Eletrônico: “Eu vou me atirar na orgia! Eu vou me jogar, me jogar, me jogar!”.
.jpg)
Parte externa do Martin Cerere (7º Vaca Amarela)
Fomos então ver as bandas do sábado, a primeira que assistimos no mesmo palco em que tocamos pouco antes foi a Toró de Palpite. Banda super original com ótimos músicos e uma bela vocalista. Eles fazem um som super misturado e cheio de quebradas e contratempos. É de dar nó no cérebro os arranjos que eles realizam nas músicas. Uma coisa legal é que o suposto guitarrista não usa guitarra, apesar de que se você não esta vendo a banda você não acredita. O cara usa um violão elétrico naquele estilo “mpvc” que o lobão fala. Só tem a armação de plástico preto e os captadores. Mas ele faz tudo o que uma guitarra faz e muita mais já que ele usa pedais de efeitos e distorção normalmente. Não lembro como conseguimos o cd dessa banda, mas ganhamos dois. Uma coisa legal de viajar para esses festivais é os cd’s que ganhamos das bandas e nesse batemos o recorde!
Depois de assistir a Toró o festival ganhou um outro clima e nada podia superar em originalidade essa banda. Isso era o que achávamos. Fomos assistir o show seguinte da Terra Celta. E tudo o que eu posso dizer é que o show foi genial, o melhor de todo o festival e estávamos enganados, a terra Celta conseguiu ser mais a original da noite. A banda toca músicas naquele estilo típico de paises “nórdicos” europeus com visual Frodo Bolseiro, com direito a gaita escocesa, violinos, bandolins e letras que falam do quanto à cerveja é uma maravilha. Quase todas as letras das musicas falam de beber. A banda é carismática e o vocalista ensina todos a cantarem e interagirem com os ótimos refrões da banda. Ele canta: “In heaven there’s no beer!” e o publico responde indiguinado: “No beer????!!” fantástico! Quando eu não podia prever mais interação com o publico na hora do bis (o primeiro do festival) alguns integrantes tocando gaita escocesa e violino foram tocar no meio do publico promovendo uma grande ciranda e depois um “trenzinho”. Nunca vi isso num show. Nada mais rock’n roll!!
Com a noite ganhando de goleada fomos tentar encontrar o Gabriel que encontramos conversando com os caras da Goldfish no backstage. Acabamos entrando na conversa com os caras também e viramos amigos depois tomando várias cervejas “em latão” do lado de fora do evento. 3 reais a skol em latão de 500 ml. Bebemos muitas enquanto conversávamos e perdíamos shows de várias bandas. Quando voltamos para a festa vimos o Thunderbird! Poxa, legal, vamos conversar com ele. Super simpático falou sobre a sua banda e outras coisas que não lembro. A banda a Devotos de Nossa Senhora de .... enfim, tocou no festival, mas eu não assisti. Uma pena, disseram que foi massa. Conversa vai e vem, agente tava esperando mesmo o show do grande Lanny Gordin. Que seria o filé mion da noite. Incrível que apesar dele ser muito tímido e ficar quase todo o tempo num mundo só dele, discreto e da banda de apoio dele ser fantástica e ter muita presença de palco o Lanny não perde o brilho nem o foco da apresentação em momento algum. Enfim foi uma aula do Lanny para uma platéia que reuniu quase 100% das bandas que estavam no festival. O Lanny todos esperavam a maravilha de show que foi, já a Forgoten Boys hum... fez um show de rock e nada mais. Nada de surpreendente e empolgante e nada que a Rollins Band não fez com muito mais energia, bom humor, diversão e estilo. Show chatinho com pinta de que parecia já estar ganho. O Felipe se decepcionou mais que eu. Depois pensando melhor é foda fazer um bom show e surpreendente depois de uma noite tão cheia de bandas boas como o próprio Lanny ou a Terra Celta. Não posso dar muitos detalhes sobre o encerramento do festival porque fui embora inconsciente.
.jpg)
Gabriel “A procura do sorriso perfeito”
Entre prós e contras o festival foi bem mais divertido que o calango, não foi tão organizado quanto o Calango. É engraçado mais o festival foi bem mais com que agente ta acostumado. Talvez por isso agente estava mais a vontade e confiante. A impressão final é de que festivais são para conhecer gente talvez amigos e ver o esforço de todo o pessoal envolvido nesses eventos e perceber que para algo dar certo é preciso muita dedicação e também viver situações que só rola num festival como pegar o elevador com o Lanny Gordin ou tomar café da manhã com o Wander Wildner ou ouvir o Daniel Beleza fazendo piadinha com a Mallu Magalhães na van, ou mesmo pensando num possível futuro dueto com repertório só do Raul Seixas o tal do Mallu com Beleza. Depois vem os deveres de um rock star como passar o dia na piscina do hotel, dar entrevistas, ganhar presentinhos da trama, autografar cd’s, ir a festinhas na área vip e também depois fazer um bom show.
Fiorelo Filho.
Neila e Fiorelo na Rodoviária “A Volta”
Goldfish Memories
Neila, Astronauta Pinguim e Fiorelo
No centro Lucas “O amigo punk”.jpg)
.jpg)
.jpg)

